Hoje à tarde fui ao centro antigo para me informar sobre a agenda dos espetáculos de dança (Danzainporto) que começariam hoje. Como publicado anteriormente (aqui mesmo no blog), estava programado para hoje uma companhia de dança de Pequim, que, pelas fotos, parecia interessantíssima! Cheguei ao balcão de informações perto das 17h30, mas a bilheteria do Arena Del Mare, só abria às 20h. Fui comer alguma coisa, tomei um sorvete... Perto da hora combinada voltei ao Porto Antico. Quando estava a alguns metros da bilheteria, começou a chover muiiiiito e eu tentei me abrigar perto de uma porta do “armazém do algodão” e logo ouvi gritos de umas pessoas me chamando. Era um casal de senhorzinhos (por volta de 70 anos) me chamando para debaixo de seu guarda-chuva. Eu fui. Fiquei alguns minutos ali com eles, esperando a chuva passar. Descobri que eles também iam ao espetáculo que começaria dali uma hora. A arena del mare é um espaço ao lado do armazém do algodão e conta com um grande palco mas a plateia não é coberta. :[ Naquele vai não vai acontecer o show, ficamos ali mais de hora conversando. Eles foram extremamente simpáticos!!! O senhorzinho Carlo me contou parte da história da cidade. Ela, acompanhava as histórias, sempre complementando com informações cativantes! Estava tudo muuuuito agradável até que chegou uma outra senhora e começou a falar sem parar, gritando, e muito rapidamente. Até que uma hora eu percebi que ela estava falando da presença de  estrangeiros na cidade... Que os albaneses ficam o dia todo sentados, fumando; os Equatorianos são sujos e sujam tudo, que os japoneses tem muito dinheiro e vêm aqui por incentivo do governo; que a América do Sul as pessoas “fazem amor” no meio da rua (??? Onde???) que os alemães aquilo e arrematou dizendo que ela odeia qualquer estrangeiro que vem a Itália pois eles são prepotentes e pioram a situação do país! D. Graça, a senhora que estava comigo perguntou: mas porque você veio ver um espetáculo de chineses?! A cascuda respondeu: “Porque eles são limpinhos, organizados, olha, precisas ver!!!” O senhor deu tentou dizer pra ela tomar cuidado com os comentários... ela nem quis saber! Continuou falando tudo que vinha pela cabeça! Que os estrangeiros vêm para tirar os postos de trabalho deles, usam a Itália e depois disso, vão embora, sem deixar nada pra eles. Mas em nenhum momento falou alguma coisa olhando para mim. Eu me segurei pra não falar nada, olhava pra cima, levava a mão na cabeça! O casal tentava acalmar aquela senhora.. até que ela falou: você acredita que eu estava no supermercado e um NEGRO (com aquela cara de arrogante) ficou me cuidando! Eu, que sou toda branca! Que só andava de primeira classe! D. Graça se revoltou com ela: Você é por demais preconceituosa!! Até agora eu estava concordando com a senhora, porque afinal, eles vêm ao nosso país pra passar fome, fazem qualquer trabalho etc. Mas a senhora se referir ao tom de pele é demais!!! Ela continuava dizendo a mesma coisa! Ela viu que eu estava ficando indignada e foi logo saindo de fininho, aproveitando que o show tinha sido cancelado por conta da chuva. Confesso que eu não sei porque eu me segurei, a vontade que eu tinha era falar poucas e boas e ela! Saímos dali ainda comentando sobre o incidente, todos impressionados com tais comentários (e foi dali pra baixo...) e eu, sem acreditar no que eu acabava de ter escutado! O casal (acho que pra compensar a falta de educação da véia coroca) me ofereceu carona e eu aceitei, afinal eram duas pessoas muito simpáticas, carentes do filho que mora longe e do gato, companheiro de doze anos, que se foi. A volta pra casa valeu por todo o dia! Sr. Carlo foi me contando histórias durante todo percurso, deu um passeio pelo centro, pela orla do mar, mostrou belíssimos prédios, contou um pouco de sua vida, mostrou o prédio em que trabalhou por muitos anos, o palácio onde sua esposa assiste a óperas, enfim! Me despedi com muita saudade e desejando logo reencontrá-los. Desci na Pça de Ferrari, vi uma pizzaria aberta, entrei pra beber alguma coisa. Pedi uma cerveja, a garçonete me mostrou tantas garrafas que eu não soube escolher, achei melhor aceitar um chopp claro. Agradeci a pizza e expliquei que já havia jantado. Pedi para sentar numa mesa, ali fiquei. Depois de alguns segundos veio o gerente com um pratinho de petiscos e eu, sorridente, aceitei o agrado. A garçonete era, de fato, muito simpática e alegre. Não é à toa que esses bares estão sempre cheios! Amanhã eu volto pra contar as outras coisas que eu fiz hoje, porque tá muito tarde já! Beijo, beijo!
1 Response
  1. Rômulo Says:

    Quantas emoções, rsrs. Mas a carona rendeu um ótimo passeio! To ansioso pra saber o resto! Bjs com saudades, amor!