Domingo, quando fui ao cinema, tive um tempinho pra caminhar no bairro (Carignano), antes do filme. O cinema Corallo fica do lado da Igreja Santa Maria Assunta, uma das muitas igrejas que existe na cidade. Todas elas muito bonitas, bem ornadas, com muita pompa, coisa e tal. Mas, não sei porquê, essa me chamou muita atenção. O tom terracota, à luz do "tramonto" (pôr do sol), a posição em cima do morro e a direção (voltada para o porto) me fizeram imaginá-la lá nos idos de 1500 e lá vai pedrada, época em que foi construída. Imaginei a vista que deveria ter dali, onde vários tons de azul se confundiriam (do azul do céu ao azul do mar)... devia ser mesmo uma "tetéia"! rsrsrsr Com essa paisagem ainda no meu imaginário, posto algumas fotos pra vocês. Beijo!






Quem quiser saber mais, tá aqui o site da Arquidiocese de Gênova.
Pessoas, o DANZAINPORTO do dia 28 foi uma loucuuuuura! Pra quem tá chegando agora, explico-me. Houve um festival de dança na Arena del Mare, no Porto Antico da cidade. Eram três shows em local aberto (sem cobertura) e sobre a agenda eu já falei aqui, oh! Pois bem, acontece que choveu nos dois primeiros shows e estes tiveram de ser cancelados! Ahhhhh, eu queria taaaanto ver a companhia de Pequim!!! snif, sniffff! Mas tudo bem, quem sabe um dia?! Consegui ver a última apresentação, Il Bolero di Ravel com o Balletto di Roma, que foi muuuuuito linda! Teve Ave Maria, teve Tango, teve Bolero, tudo isso em meia ponta! Lindos, lindos! A noite estava agradável, o clima era muito bacana, na pontinha do porto, com os cruzeiros passando por trás do palco, bem pertinho (!!!), gente bonita, alegre e fashion (rsrsr). [Tá, vamos combinar que a idade média do público era de 115 anos... ihihihi] Encontrei meus amigos por lá, conversamos bastante antes do show e anotei muitas dicas de por onde viajar nesse "meu" mundão de meu Deus que se chama Itália. O Sr. Carlo é um italiano típico, muito encantado com o seu país, defende sua história e belezas com unhas e dentes, mas reconhece, com tristeza, que os tempos são outros e me conta muuuuitas histórias, com direito à pausas, onde ele solicita a confirmação de sua esposa, Sra. Grassia e até discute com ela, como qualquer casal. rsrsrs São peculiaridades, histórias que eu gosto muito de ouvir e que não se encontra por aí pelos livros... Mas voltando ao espetáculo, a companhia arrasou com coreografias diferentes, muuuuito sincronizadas e nada entediantes (como aquelas onde todos fazem a mesma coisa :/). O cenário simples e de poucas luzes, bem colocadas, valorizou o movimento dos corpos e o esforço dos bailarinos. Saímos comentando satisfeitíssimas (Sra. Grassia e eu), mas via que o Sr. Carlo estava um pouco cansado... Na carona, trocamos telefones, e prometemos nos encontrar mais vezes. Recebi até um convite para um almoço na casa deles, depois do período das férias. [Nota-se que a simpatia que eu tenho por eles foi recíproca.] No trajeto, Sr. Carlo me apontou os mesmos prédios e falou com o mesmo entusiasmo das obras mais bonitas... e eu, ouvi como se fosse a primeira vez.

Foto da Arena, ao fundo o Cruzeiro do Patolino. rsrsrs
Quinta-feira, quando eu estava olhando as passagens de trem bateu uma indecisão de: por onde começar? Pra onde ir, minha gente?! Tantos lugares, tantos meios, tantos tipos de passeios! Quando minha cabeça estava doidinha de ver tanta cidade bonita pela telinha do meu (companheiro fiel) note, decidi organizar as ideias. Resolvi pegar uma cidade aqui por perto, de preferência noutra região. Cogitei ir até Vale d'Aosta (a menor região da Itália e fica "perto" daqui) que tem uma paisagem liiiiinda de montanhas - dentre elas, as maiores da Europa - mas achei mais bacana visitá-la no inverno e ver a paisagem branquiiiiiinha da neve. Cheguei a uma opção (considerando-se que eu queria ir e voltar no mesmo dia): Torino. É uma cidade perto e bem "no topo" do mapa da Itália, me pareceu simpático (e emblemático) visitá-la. Depois vou descendo o país, pensei. Tauntá, consultei o valor da passagem (9 euros!! :o tá, tem um outro lá que é mais rápido e custa 17 euros, mas quem tá com pressa?) e os horários de ida e volta no site da Trenitalia, vi alguns hostells, percorri o google maps e resolvi conferir na estação Brignole se era esse mesmo o valor. Resultado, saí da estação com um bilhete de trem na mão. Mas antes de contar da viagem, preciso falar outra coisa, no próximo post. ;)
Hoje dei uma olhada no site da Trenitalia (Gruppo Ferrovie dello Stato Italiane) e achei algumas coisas interessantes que a empresa oferece: 

  • Ligação com os aeroportos de Pisa, Milão, Palermo e Roma;
  • Parcerias com algumas empresas de navegação, afim de apresentar serviços ligados;
  • Carta Verde é um bilhete que custa 40 euros e permite descontos de 10% sobre o preço do bilhete (1ª e 2ª classe) aos jovens de até 26 anos previstos para todos os trens nacionais;
  • Interrail é a oferta destinada a quem more em um país europeu (pelo período mínimo de 6 meses) e permite viajar livremente em 1ª ou 2ª classe nos trens da empresa ferroviária nacional dos seguintes países: Europa Ocidental: Áustria, Irlanda do Norte, França, Alemanha, Grã Bretanha, Grécia, Itália, Portugal, Espanha, Suíça. Norte: Finlândia, Dinamarca, Noruega e Suécia. Leste: Bósnia (solo con InterRail Global), Bulgária, Croácia, Macedônia, Polônia, República Tcheca, România, Sérvia, Eslováquia, Eslovênia, Turquia e Hungria.
  • Há ainda o Smart Price que garante um bom preço às viagens na Europa, com tarifas a partir de 15 euros.
 Essas informações são importantes para planejar melhor a sua viagem e perder menos tempo e dinheiro mas em uma simulação não consegui reservar passagens à este preço, provavelmente porque estejam nas mãos das agências de turismo.
Há alguns dias, sentei num barzinho para beber alguma coisa. Dentre algumas opções (tinha até caipirinha - de velho barreiro, obviamente), escolhi um chopp claro artesanal. Para acompanhar, me decidi pela minha primeira pizza na terra das comilanças. rsrsrs Algum tempo depois a garçonete veio me dizer que não havia rúcula e que eu poderia escolher alguma outra coisa. Quando estava por me decidir, chegou um pratinho com alguns bolinhos, batatas fritas e duas ou três fatias de pizza. Rapidamente disse ao rapaz que ele deveria ter errado de mesa. Ele respondeu: não, não! As comidinhas acompanham o seu pedido! Pensei: ela deve ter pedido algum "combo", neh... se enganou. Mas tudo bem, desisto da pizza. Pedi outro chopp, veio mais petisquinhos. Me assustei: Senhora, não pedi isso!! Ela riu e disse: mas, você não vai pagá-los, acompanham o chopp que você escolheu, como uma cortesia da casa... eu olhei para ela e disse: va bene! ma basta, ok? Saí de lá "jantada" e paguei apenas pelos chopps. Não imagino isso acontecendo no Rio...

Como vocês viram, hoje só tem post educativo. rsrsrs E para seguir no clima, fotos de algumas cervejas que se encontra por aqui, no dia a dia (fora alla spina, claro - o chopp)... Mas já vi que há lojinhas especializadas em cerveja de toda parte do mundo. Muito chique!





O elevador da faculdade é "tiranossáurico"! hehehe Você tem que abrir a porta externa e depois abrir as duas portinholas internas e fechá-las, senão não sobe ou não desce. Quando você for sair dele, deve virar-se para a outra parede e, novamente, abrir a portinhola, abrir a porta externa, fechar a portinhola e, depois, fechar a porta externa. Entendeu? Tudo manualmente. Acontece que o elevador antigo - isto é, tinha um outro mais antigo ainda - estava em mal funcionamento e teve de ser trocado. [!!!] rsrsrs só rindo mesmo né... Em todo caso, há relatos que o antigo ainda era melhor que este de agora. Pode?!

Tô tentando descobrir como eu faço para chegar até Veneza... Tem a bienal lá!!! (iupiii) Se você tem alguma dica, ou sabe de alguém que foi ou que mora lá (ou aqui), "puramor" do meu Jesus Cristinho, faça algum sinal de fumaça...
No mesmo dia da manifestação, sábado dia 23 de julho, quando me afastava em direção ao centro, vi pracinhas e pequenos outros espaços abrigando as mais diversas formas de manifestação artística e cultural e, dentre elas, uma me chamou a atenção. Espero que o vídeo funcione bem pois os caras são muito bons!!! Beijo!

Queridos! Ontem fui ao cinema atrás de um filme que vi em cartaz na programação de cinema aqui em Gênova. É um filme chinês inspirado em um best seller da escritora Lisa See cujo título é Fiore di Neve e Il Ventaglio Segreto que conta a história de duas meninas (de origem oriental - uma chinesa e uma coreana) que se encontram e se "re"-conhecem como irmãs (lao tong - uma profunda relação de amizade) pra toda vida. Essa trama dos tempos atuais se alterna com imagens e histórias do século XIX que contam o costume de enfaixar os pés das meninas (e mantê-los pequenos) para que as mesmas encontrem bons maridos. Quando casadas, as mulheres se isolam e, vivem para servir seus maridos e suas sogras e, assim sendo, encontram novas formas de comunicação entre elas: escritas entre as pregas de um leque branco de seda. As  diferenças se mostram visíveis na confrontação entre os dias atuais, de uma Shangai que está em evolução e aquela do passado. É um drama realmente emocionante (há muito tempo não saía com lágrimas nos olhos do cinema) e tocado com tamanha sensibilidade (!!!), misturada com as suas realidades "nua e crua", tão diferentes da nossa! Difícil descrever... Mas, meninas, fica a dica, leve as amigas e não vá assistí-lo de TPM rsrsrs.

 “Loro la crisi, noi la speranza” é o slogan pelo qual os manifestantes desfilaram ontem, uma década depois dos terríveis acontecimentos* na capital da Ligúria, que viu a suspensão da sua democracia. Ao longo do cortejo (que começou em Sampierdarena e terminou no Porto Antico), colorido mas não tão pacífico, o sindicato reivindicava a necessidade de repreender aquele percurso de 2001 para construir um novo caminho econômico e social alternativo aos modelos neoliberais e para sair da atual crise global. Não tão pacífico pois vi alguns ânimos exaltados, pessoas pixandos monumentos, bombas etc. A passeata estava dentro de faixas de contenção e o policiamento acompanhava o acontecimento à distância. Ouvia-se gritos, vozes em microfones, carros de som, muito barulho; via-se jovens com garrafas de bebidas alcoólicas na mão, pessoas repreendendo fotografias e filmagens. Por outro lado, gente comemorando, mistura de etnias (que aqui na Itália é recente), músicas de toda parte do mundo, danças populares e uma considerável interação entre os povos. Havia pessoas de todas as idades, jovens, idosos, mas poucas crianças. A intenção era analisar o movimento de 2001 e tentar reconstruir uma proposta e noção de apoio, alianças (principalmente com a União) para transformar o atual modelo de desenvolvimento. Esse movimento continuou ao longo dos anos por grandes fóruns sociais contra a desigualdade mundial e a favor da paz, direitos, democracia, bens comuns e uma sociedade multiétnica.

*Em 2001, durante a reunião do G8, o clima estava muito exaltado e representou propriamente uma verdadeira guerra civil, com duras ações como carros sendo virados, muitas bombas, armas caseiras etc. Marcou, com certeza, um fato histórico para a cidade italiana.

Gravei este vídeo no início da passeata.
Depois, fui proibida por uma garota de fazer mais registros.



Manifestação de danças e costumes.

obs.: acho que os videos ficaram sem som (ao menos não consigo ouvi-los no meu computador). "Falha nossa!"
Nas últimas quinta e sexta-feira, dias 21 e 22 de julho, houve uma paralisação dos transportes públicos aqui na Itália em prol de um novo contrato de mobilidade. Aproveitando o "tema", a voltinha de sexta-feira foi ao longo do trajeto dos 39 e 40, ônibus que me levam ao centro. Embaixo, algumas fotos da descida e algumas peculiaridades que encontrei pelo caminho.
Cuidado com o gato! aham

A paisagem do caminho

Escolhi meu carrinho... rsrsr
Não é lindinho?!
O charme dos bancos!!! Não é a minha cara!?
Antigo ambulatório da cidade. Parece que a universidade está restaurando.
Um gazebo lindinho e romântico


Bom, decidi que tenho mesmo que comprar uma máquina fotográfica urgentemente! Andei olhando alguns lugares aqui no centro e ontem fui a Sampierdarena procurar no centro comerciale (shopping). Achei muitas e dos mais diversos tipos e tô pensando em abrir uma enquete pra que eu consiga me decidir qual eu compro...
É, vou fazer isso... Pelo adiantado da hora, posto algumas fotinhos do shopping (que pra mim, enquanto arquiteta - sempre me lembro de uma professora do mestrado quando alguém fala assim - me pareceu interessante). Ahhh, lá eu achei uma térmica bem baratinha e agora estou super aparelhada tipo assim para o meu chimarrão. rsrsrs Beijo, beijo!


Essa foto em especial vai pro meu vizinho e amigo. Alô Vicente! rsrsrs

Il più bello tra tutti i palazzi di Genova è a mio giudizio quello di Gerolamo Durazzo in via dei Balbi. Riuscirò a ricordare tutto quello che ho visto lì dentro? C. De Brosses, 1739
Não é à toa que De Brosses escreveu isso! Ontem visitei o palácio mais bonito que eu já visitei na minha vida! Sem brincadeira! E também não é à toa que o meu dicionário (Michaelis), quando traduz palazzo, fala logo no Palazzo Reale! Não foi possível tirar fotos, mas na página do museu vocês podem acompanhar um pouquinho do que eu vi com esses olhos que a terra há de comer!!! rsrsrr Gente, não é exagero! É tudo isso mesmo! Aquilo que hoje chamamos de Palazzo Reale nasceu de uma residência do século XVII (família Balbi que habitou ali pouco tempo e, depois, dos Durazzo, até o início do Século XVIII). TODOS os ambientes são decorados por pinturas e esculturas do século XVII e mobília que varia do XVIII ao XIX. A sinalização utilizada pelo Museu é exemplar e é constituída por pranchas com desenhos das vistas de cada parede (incluindo quadros e outros detalhes) e legenda explicando o material e a origem de cada objeto ali presente, em várias línguas! A visita é acompanhada pelos instrutores do museu que ainda tem a gentileza de sanar qualquer dúvida dos visitantes. Pelo o que eu vi, há muito material sobre ele na internet (fotos, vídeos, textos), para uma busca rápida, e nada do que eu fale aqui pode descrevê-lo, impressionante! Então, deixo vocês com algumas fotinhos externas e com esse mesmo gostinho de "quero mais" que eu fiquei. :D



Fotos tiradas do terraço.
Gente, descobri um happy hour (ou aperitivo, como eles chamam aqui) onde se encontram brasileiros e moçambicanos, bem no centro da cidade (nada que o google maps não resolva!). O evento é uma mistura de aperitivos (viva a caipirinha!) e samba (uhuuuuu)! O samba fica por conta de um grupo de músicos brasileiros e moçambicanos (vamos ver no que dá!? rsrsrs). No mínimo é uma mistura muuuuito interessante de duas "culturas africanas". [Gostei!!! Ou melhor, curti!] O MoSamba tem, inclusive, página no Facebook e, pra quem quiser conferir, o link eu ponho aqui! De repente apareço lá hoje e depois conto como foi!
Pessoal, sei que teve gente com dificuldades para postar e para receber minhas atualizações por e-mail. Dei uma olhadinha e mexi em algumas coisas por aqui... espero que funcione! Me avisem se não der certo, por favor! Beijo a todos!
Ontem fui ao Palazzo Ducale. Confesso que eu fiquei um pouquinho decepcionada. Pela fama, localização (bem no centro da cidade) e tudo mais, achei que seria assim, um desbunde! Humm, posso estar ficando mal acostumada com as coisas por aqui porque é muito diferente do que vemos no Brasil (propriamente pela idade das construções, que são muito antigas) e deveras bonito. :) Mas eu achei que ficaria maravilhada com o que vi (arquitetonicamente falando). Não foi propriamente por aí. O palácio é todo branco (com alguns afrescos conservados, em locais pontuais, como nas escadas de acesso), com duas grandes salas bem decoradas por pinturas do século século XVIII, lustres maravilhosos e mobiliário moderno bem comunzinho. Agora, a história, não deixa a desejar. Começou a ser construído no duecento (por volta de 1290 e poucos), quando Gênova se afirma como potência do mediterrâneo, e em 1339 tornou-se a sede do primeiro Doge genovês, Simon Boccanegra. Ao longo dos séculos o prédio sofreu seguidas alterações e ampliações, até que no século XVI surge uma nova fisionomia, mais adequada e pomposa. No século XVIII, depois de um grande incêndio, a decoração da sala maior do conselho foi toda renovada e, no século XIX recebe os afrescos de Giuseppe Isola, acompanhado pelas obras arquitetônicas de Simone Cantoni. Posteriormente, no início do século XX, sofre novas alterações, com a construção da Piazza de Ferrari (praça central e onde se encontram os serviços mais importantes da cidade). Foi restaurado em 1992 e constituiu a maior obra de intervenção até então realizada na Europa. A torre, Torre del Popolo, foi elevada em 1539 e está aberta à visitação. Depois da visita ao palácio, subi para conhecer a torre e lá descobri que havia uma cadeia. Na entrada da torre há um espaço, de tamanho mediano, que separa a prisão da entrada da torre. Atualmente ali é projetado um vídeo com a história do palácio (a única mensão à sua história no lugar, considerando-se que as plaquinhas espalhadas pelo edifício deixavam a desejar). Depois de colocar o capacete de segurança, entrei primeiramente na cadeia. O cárcere constituía-se em um lugar pequeno, de baixo pé direito, de pedra, com argolas de ferro nas paredes, uma aberturinha com grades e uma pequena porta de madeira. Tudo muito escuro e, hoje, iluminado por dois holofotes. A torre, com o mesmo tipo de porta, mas com aberturas maiores possui alguns pedacinhos de uma antiga pintura ainda expostos, mas nada que faça maiores referências. A entrada custa 5 euros e, com o cartão anual eu paguei 4. Pra quem tem interesse, taí a página.

Do pátio pode-se ver a torre.

A sala maior

Teto da sala maior

Nas paredes, várias imagens dessas.

Afrescos nos acessos

Capelinha

Na prisão

Janela do Cárcere

Antiga estrutura da Torre





Vistas da Torre

Geeente, para tudo! Domingo fui à Porta Siberia (Museu Luzzati) ver a exposição do Mordillo (que eu comentei anteriormente com vocês aqui), célebre cartunista argentino nato em 1932. Seus desenhos são muito divertidos com experimentos de muitas técnicas, exploração de outras línguas e países. Seu humor baseia-se nos contrastes e nos opostos. As cores vão do austero branco e preto às cores muito luxuosas e há desenhos cheios de informações e outros mais vazios, com um elemento central. O tema de suas obras é bastante vasto, mas esta exposição foi dividida entre meio ambiente, amor e alguns trabalhos variados. Temas sérios que são apresentados ao público com muito humor e algumas “sacadas” com toque muito pessoal. Particularmente, fiquei muito encantada com as cores e o modo como ele trabalha os opostos, lançando mão do vivo contraste de tons, do posicionamento e tamanho dos elementos na tela, sem perder o ar ingênuo e infantil, nos levando a pensar de forma carinhosa nas grandes questões da vida. Na lojinha, presentinhos de todos os tamanhos, lindos cartões postais (1 euro), gravuras e ilustrações tamanho A4 ao tamanho A0 (cujo preço varia de 15 à 350 euros) e, o que eu mais gostei: posters de divulgação de peças de teatro (de 8 a 10 euros). Pra quem gosta de cartoons e vier à Gênova antes de 12 de janeiro de 2012, fica a dica!




Tentei pegar uma água naquelas maquinetas de refrigerante da faculdade. Minhas moedas encalharam juntamente com as moedas do menino que tentou anteriormente e nada saiu! Nem a coca dele, nem minha água. Fui ao bar da esquina compra-la. Chegando lá, ninguém no balcão. Atrás de mim uma senhorinha (80 anos +-) gritou pra uma criança que havia gente ali. A criança veio me atender e logo atrás dela vinha um rapaz que parecia ser seu pai. Pedi a água e logo fui atendida. Enquanto isso, escuto um monte de palavras que mais pareciam um enrolação só. Era aquela senhora dizendo tanta coisa que eu não entendia nada! Ela tentou repetir, eu entendi: bibibibibi belle gambe!! Guarda! Non sono davvero belle gambe!?! Quando olho ao redor, o bar inteiro olhava pra mim! Agradeci o elogio e, antes de sair, respondi: “não, não sou alemã, sou brasileira!” Posso com isso?!?

Ps.: Belle gambe = belas pernas!
Outro dia (sexta feira dia 15) precisei “escanear” um documento. Sabia que não seria tarefa fácil! No primeiro lugar, não havia scanner, no segundo me indicaram um terceiro, no terceiro queriam imprimir as tais folhas em vez de escaneá-las!!! O problema, além de passar pelas barreiras da língua, teria que passar pelas diferentes culturas. Eu, brasileira, arranhava no meu italiano com equatorianos, indianos e outras cidadanias que eu não consegui identificar. Tentei na mímica, mostrei o pen drive e folha, indicando que eu queria colocar isso (folha) naquilo (pen drive), tentei sinônimos: digitalizar, falei scanner em três línguas, e nada! Estava eu, pronta para desistir, pensei em tirar uma foto das páginas, quando tentei pela última vez. Cheguei na portaria da faculdade (pensei mesmo que eles estivessem mais acostumados com essas coisas) perguntei onde eu poderia escanear, com pouco esforço eles me entenderam e me indicaram o laboratório ou a biblioteca da minha faculdade, em qualquer computador! Porque eu não pensei nisso antes? Fui até lá mas estava fechado (se eu tivesse ido direto lá, teria pego aberto). Perguntei na recepção se havia outro scanner me indicaram o xerox que tem na frente da faculdade. Da porta, avistei um grande xerox e, em letras garrafais: SCANNER! 
Hoje à tarde fui ao centro antigo para me informar sobre a agenda dos espetáculos de dança (Danzainporto) que começariam hoje. Como publicado anteriormente (aqui mesmo no blog), estava programado para hoje uma companhia de dança de Pequim, que, pelas fotos, parecia interessantíssima! Cheguei ao balcão de informações perto das 17h30, mas a bilheteria do Arena Del Mare, só abria às 20h. Fui comer alguma coisa, tomei um sorvete... Perto da hora combinada voltei ao Porto Antico. Quando estava a alguns metros da bilheteria, começou a chover muiiiiito e eu tentei me abrigar perto de uma porta do “armazém do algodão” e logo ouvi gritos de umas pessoas me chamando. Era um casal de senhorzinhos (por volta de 70 anos) me chamando para debaixo de seu guarda-chuva. Eu fui. Fiquei alguns minutos ali com eles, esperando a chuva passar. Descobri que eles também iam ao espetáculo que começaria dali uma hora. A arena del mare é um espaço ao lado do armazém do algodão e conta com um grande palco mas a plateia não é coberta. :[ Naquele vai não vai acontecer o show, ficamos ali mais de hora conversando. Eles foram extremamente simpáticos!!! O senhorzinho Carlo me contou parte da história da cidade. Ela, acompanhava as histórias, sempre complementando com informações cativantes! Estava tudo muuuuito agradável até que chegou uma outra senhora e começou a falar sem parar, gritando, e muito rapidamente. Até que uma hora eu percebi que ela estava falando da presença de  estrangeiros na cidade... Que os albaneses ficam o dia todo sentados, fumando; os Equatorianos são sujos e sujam tudo, que os japoneses tem muito dinheiro e vêm aqui por incentivo do governo; que a América do Sul as pessoas “fazem amor” no meio da rua (??? Onde???) que os alemães aquilo e arrematou dizendo que ela odeia qualquer estrangeiro que vem a Itália pois eles são prepotentes e pioram a situação do país! D. Graça, a senhora que estava comigo perguntou: mas porque você veio ver um espetáculo de chineses?! A cascuda respondeu: “Porque eles são limpinhos, organizados, olha, precisas ver!!!” O senhor deu tentou dizer pra ela tomar cuidado com os comentários... ela nem quis saber! Continuou falando tudo que vinha pela cabeça! Que os estrangeiros vêm para tirar os postos de trabalho deles, usam a Itália e depois disso, vão embora, sem deixar nada pra eles. Mas em nenhum momento falou alguma coisa olhando para mim. Eu me segurei pra não falar nada, olhava pra cima, levava a mão na cabeça! O casal tentava acalmar aquela senhora.. até que ela falou: você acredita que eu estava no supermercado e um NEGRO (com aquela cara de arrogante) ficou me cuidando! Eu, que sou toda branca! Que só andava de primeira classe! D. Graça se revoltou com ela: Você é por demais preconceituosa!! Até agora eu estava concordando com a senhora, porque afinal, eles vêm ao nosso país pra passar fome, fazem qualquer trabalho etc. Mas a senhora se referir ao tom de pele é demais!!! Ela continuava dizendo a mesma coisa! Ela viu que eu estava ficando indignada e foi logo saindo de fininho, aproveitando que o show tinha sido cancelado por conta da chuva. Confesso que eu não sei porque eu me segurei, a vontade que eu tinha era falar poucas e boas e ela! Saímos dali ainda comentando sobre o incidente, todos impressionados com tais comentários (e foi dali pra baixo...) e eu, sem acreditar no que eu acabava de ter escutado! O casal (acho que pra compensar a falta de educação da véia coroca) me ofereceu carona e eu aceitei, afinal eram duas pessoas muito simpáticas, carentes do filho que mora longe e do gato, companheiro de doze anos, que se foi. A volta pra casa valeu por todo o dia! Sr. Carlo foi me contando histórias durante todo percurso, deu um passeio pelo centro, pela orla do mar, mostrou belíssimos prédios, contou um pouco de sua vida, mostrou o prédio em que trabalhou por muitos anos, o palácio onde sua esposa assiste a óperas, enfim! Me despedi com muita saudade e desejando logo reencontrá-los. Desci na Pça de Ferrari, vi uma pizzaria aberta, entrei pra beber alguma coisa. Pedi uma cerveja, a garçonete me mostrou tantas garrafas que eu não soube escolher, achei melhor aceitar um chopp claro. Agradeci a pizza e expliquei que já havia jantado. Pedi para sentar numa mesa, ali fiquei. Depois de alguns segundos veio o gerente com um pratinho de petiscos e eu, sorridente, aceitei o agrado. A garçonete era, de fato, muito simpática e alegre. Não é à toa que esses bares estão sempre cheios! Amanhã eu volto pra contar as outras coisas que eu fiz hoje, porque tá muito tarde já! Beijo, beijo!
Pra seguirmos no ritmo de fim de semana, um assunto beeeem light: unhas. Hoje reparei que as italianas usam unhas de um jeito diferente de nós, brasileiras. Ah, mas como eu não faço costumeiramente unhas no salão, nesse quesito, sou sempre a ultima a saber. Hihihi No Rio, a última moda é tirar o esmalte da pontinha das unhas. No começo, eu tive resistência porque deixa as minhas unhas menores ainda (porque eu as uso curtinhas)! Mas agora sou adepta, pois parece que o esmalte dura mais. Então, como sou “dona de casa”, adotei. ;) Mas aqui em Gênova eu vi de outra maneira: elas tiram um pouco do esmalte de toda bordinha da unha, até mesmo ali onde tem cutícula. Hummm, eu estranhei bastante porque parece que há mais cutícula do que realmente tem, mas... vai que pega!?

:: Além disso, as meninas mais novas aderiram a vez das unhas estampadas, em xadrez ou com glitter.

Peguei essa fotinho aqui!
Beijo!

Ahh, hoje o tempo colaborou e eu pude dar um passeio maravilhoso “al mare”! Desci no ônibus costumeiro (39) mas me passei da estação (de trem, metrô e ônibus) Principe e fui parar noutra: Brignole lá no final da linha. Na verdade, eu confundi as duas pois achei que o 39 parasse na frente da estação Principe, mas não para... Bem, como tinha decidido ir de ônibus pra aproveitar a paisagem, lá peguei o primeiro ônibus que vai pra Verni, o 17. Como é sábado estava muito cheio e demorou bastante! (Sabia que a distância era de 4 ou 5 km e demorou meia hora, mais ou menos.) Mas como eu andei sem destino, fui observando o caminho... Passei por umas pontes (de longe parecia concreto) altíssimas muito legais, por grandes avenidas, viadutos, pequenos negócios, carros engraçados, luxuosos... Em Verni, segui as placas que me pareciam interessante. Nada que indicasse onde é o mar, só os museus. Mas acabei indo pro lado certo. Sabia que o mar estava num nível mais baixo que eu e logo adiante vi uma descida, em uma ruazinha sinuosa, com sorveteria, bar, café e focacceria (não podia faltar, neh?!). Em seguida enxerguei o mar. Claro, quem tá “acostumado” com as areias branquinhas das praias brasileiras Ipanema, Copacabana... (Cassino, então! Nem se fala!), leva um choque (mesmo sabendo que se encontraria) com tanta pedra! Eu pensava: bom, tem que ter areia! Senão, como eles fazem pra tomar banho de sol!? Hihihi santa inocência minha! Ué, eles tomam sol em cima das pedras! Por isso não se usa canga e sim uma espécie de espuma, ou até mesmo a toalha, que ajuda quando as pedras são pequeninas. Ali, de frente para o mar, me perguntei: direita? Esquerda? Lá estava a placa dos museus novamente! Segui. Entrei numa passarela com um gradil “azul calcinha”. De um lado, o mar batendo nas rochas, de outro, construções, árvores, pequenos recantos. Estava provado que a gente sempre quer saber o que vem depois de uma curva, especialmente se a vista é diversificada e maravilhosa, como a que eu via. O caminho cheio de curvas me fazia andar mais e mais. Havia pequenos cafés e creperias com suas mesinhas ao sol, lojas de presentinhos, souvenirs e artigos de banho, restaurantes em áreas cercadas com piscinas e espaços de jogos (carta e ping pong) e havia algumas construções históricas que iam de museus, fortificações e até uma igrejinha. Todas elas se “revezando” com as muralhas e com a estrutura de trilhos do trem. Belíssimo! O sol, o vento, as nuvens e até a chuva colaboraram já que quando o sol ficava muito quente, as nuvens vinham para dar uma amenizada e depois a chuva fina e passageira fizeram com que eu curtisse uma bela manhã de verão. De almoço, desfrutei uma pizza de champignon, presunto e tomate no solzinho do restaurante Focacceria Marinela acompanhada pelas pombas e alguns passarinhos que pousavam naquele gradil onde, algumas vezes, apoiava meu braço, na tentativa de olhar a espuma branquinha, clarinha, do mar, logo abaixo de mim. A música era apenas o som forte do vento tremulando as toalhas de mesa e da água batendo nas rochas. As cores que eu enxergava eram tons muito vivos, ao sol, (o azul do mar, a espuma branquinha e as pedras marrons) contrastando com os tons de ocre, amarelo e coral das construções que pintavam de sépia o cair da tarde.