Apesar de ter dormido pouco na noite anterior, de tão ansiosa que eu estava, consegui acordar na hora certa, cedinho. Quinze para as seis da manhã estava eu no ponto de ônibus. A manhã vinha despontando e o dia não prometia muita coisa: ventava, havia muitas nuvens e estava um pouco frio. Como já estava preparada para enfrentar um tempo não "lá essas coisas", resolvi ir de qualquer jeito. O ônibus logo passou e, pela hora, chegou rapidinho à estação. Lá, tomei um cafezinho com croissant (difícil achar alguma comida salgada à essa hora). Calmamente me dirigi ao hall da estação onde estão os monitores que informam o número do binário, olhei as informações, validei o bilhete e, com as sinalizações no meio do caminho, foi fácil achar o ponto. Entrei no trem, escolhi uma cadeira... olhei no relógio: 6h16. Na minha cabeça o trem partiria às 6h25. Óbvio que não saiu nesse horário. Engana-se quem acha que atrasou: 6h17 o trem fechou as portas e começou a se locomover. Pensei: peguei (de novo) o trem errado, literalmente! Na minha volta só havia um senhor sentado duas poltronas mais a frente, que me disse que o trem das 17h35 (isso mesmo, trinta e cinco) era aquele outro tipo de bilhete, onde eu pagaria 17 euros e chegamos a conclusão de que eu estava mesmo, por sorte, no trem certo. A viagem foi tranquila e o vagão permaneceu vazio e em silêncio boa parte do tempo. Em compensação, faltando uns 40 minutos para chegar em Torino, entram duas moças faladeiras (lê-se: MUITO tagarelas) que só pararam de conversar na chegada. (aff!) À essa hora, o sol já estava bem corado, quente, lindo! E mesmo dormindo pouco, cheguei feliz à estação Porta Nuova. Sair da estação foi fácil, mas tive que tirar no cara e coroa a direção de um possível jornaleiro (tinha que comprar logo um guia turístico da cidade. [Quando cheguei em Gênova, comprei um guia numa lojinha e paguei caro por ele (7 euros). Dias depois me dei por conta que havia também nas bancas de jornais, por um preço bem mais barato.] Como já era de se esperar, saí pro lado errado, mas três quadras depois achei o dito cujo. Comprei um "mapinha" que de "inha" só tinha as letras... O mapa era muito grande, com tantas informações que em vez de ajudar acabou atrapalhando. Nesse "reconhecimento do território" levei quase uma hora. Até que decidi tentar novamente, sentando num banquinho de uma praça e abrindo aquela sanfona toda de desenho. Girei pra um lado... girei pro outro... nada! Perguntei ao senhor do outro banco, ele me respondeu: Aquela é a Via Roma. Aquela ali é a Via Pó. Respondi: Ahhhh!....... isso mesmo, não adiantou nada. Daí, me dei por conta que eu devia estar procurando no lugar errado e inverti o mapa. Eccola! Eis que aí está: Piazza Castello! (Isso mesmo, bem grande e com dois LLs) Do ladinho: Piazza Reale. Eu estava sentada na praça do Palácio Real, palácio que me fez ir até Torino. (Só rindo mesmo...) Fechei a sanfona, aliviada, dei uma disfarçada do grande fiasco que acabei de dar (mas que só eu sabia que era um grande mico) e segui em frente.

Estação Porta Nuova

No caminho...
Via Roma. No Ponto de Fuga, Estação Porta Nuova
Piazza San Carlo
Piazza Castello. Primeiro mico da viagem.


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