No passeio pelos quarteirões próximos à Via dei Mercanti, fui abordada por um senhorzinho que foi logo me mostrando por onde eu deveria andar, apontando para o Santuario della Consolata e dizendo: "por aqui, moça.... venha comigo por aqui..." Como eu sou desconfiada, perguntei o que ele queria me apontar. Ele dizia: "Vou levá-la no café mais antigo da cidade! Fica na frente da Igreja! Tem uma bebida muito tradicional lá...." Respondi: "mas eu vou chegar na Igreja! Mas prefiro ir por aqui..." Ele dizia: "mas é logo ali! Venha!" Respondi: "Eu chego lá, se acalme"... Foi aí que ele desistiu. Segui meu passeio atenta se não o encontrava novamente. Cheguei no santuário, haviam dois cafés. Na maior cara dura, perguntei a uma senhora que estava arrumando as mesas: "Sra. qual é o café mais antigo daqui?" Ela prontamente: "Al Bicerin!" apontando para o letreiro atrás dela. "E aquela bebida muito famosa? Que todos comentam....", perguntei. "È il bicerin!" Disse ela. (lógico, né... pensei eu, que pergunta meio idiota que eu fiz, mas tudo bem...). Pedi um. Sentei na mesa, aguardei. Logo chegou a taça. O sabor, por mais que eu tente explicar, é indescritível! Realmente muito bom! Quando fui pagar a conta (5 euros!!! :o), encontrei aquele senhorzinho lá dentro, que logo falou: Você veio provar o bicerin? Respondi: Já o provei, o sr tem razão, é muuuito bom! De cara, ele viu que eu era brasileira, pela maneira de falar "Ciao" e disse que em tal praça havia uma brasileira, de mato grosso, num daqueles bares, que eu fosse lá, matar a saudade da minha terra, comendo alguma coisa típica. Disse que sim (até iria mesmo, se houvesse mais tempo) e parti. Depois fiquei pensando comigo mesma: como o nosso dia a dia em "cidades grandes e perigosas" como o Rio de Janeiro nos transforma e nos arma contra qualquer aproximação estranha, mesmo que seja a de um senhor de idade (mais ou menos uns 70 anos), no centro histórico "pacato" de uma cidade, mesmo que grande (Torino tem em torno de 1 milhão de habitantes) na Itália! Mesmo sabendo da necessidade de ter agido daquela forma pois não havia outra saída, fiquei um pouco envergonhada por ter lhe tratado assim. Essa é mais uma das coisas que aprendi com esse "choque" de cultura.





Olha que bonitinha a página do Café Al Bicerin.